Quando se fala em Reforma Tributária, a conversa costuma girar em torno de alíquotas: quanto vai ser o IBS, quanto vai ser a CBS, quem paga mais e quem paga menos. Para quem toca uma empresa, porém, existe uma pergunta mais urgente e bem menos discutida: o sistema que emite as minhas notas, controla o meu estoque e calcula os meus impostos está preparado para essa mudança?
Nós desenvolvemos sistemas de gestão desde 1995 e já acompanhamos várias mudanças fiscais, do SPED à NF-e. Nenhuma delas se compara a esta em tamanho. Por isso, organizamos aqui, em linguagem direta, o que muda e o que o seu ERP precisa fazer em cada fase.
Importante: este artigo trata do lado sistêmico da reforma. As decisões tributárias da sua empresa (regime, enquadramento, aproveitamento de créditos) devem ser tomadas com o seu contador ou consultor tributário.
Uma mudança longa, com dois sistemas convivendo
A reforma não acontece de uma vez. Ela foi desenhada como uma transição de vários anos, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025:
- 2026: o ano de teste. IBS (0,1%) e CBS (0,9%) passam a aparecer nas notas fiscais com alíquotas simbólicas. Para quem cumpre as obrigações acessórias, os valores destacados não viram um custo extra: são compensados ou dispensados. O objetivo é testar sistemas, notas e transmissões.
- 2027: a virada federal. A CBS entra com alíquota cheia e o PIS e a Cofins deixam de existir. ICMS e ISS continuam valendo.
- 2029 a 2032: a transição estadual e municipal. ICMS e ISS vão sendo reduzidos ano a ano, enquanto o IBS sobe na mesma proporção.
- 2033: o modelo completo. ICMS e ISS são extintos e passa a valer o IVA dual (IBS + CBS).
O ponto que mais pesa para a tecnologia está no meio: durante vários anos, o sistema precisa calcular as regras antigas e as novas ao mesmo tempo, sem errar nenhuma das duas.
O que o seu ERP precisa fazer
1. Cadastros confiáveis
Tudo começa no cadastro. A classificação correta dos produtos (NCM) e dos serviços (NBS) passa a definir o tratamento de IBS e CBS de cada operação. Na nota fiscal, entram novos códigos de situação e de classificação tributária para esses tributos.
Na prática, isso significa revisar a base de produtos, serviços, clientes e fornecedores. Cadastro desatualizado, que antes gerava um erro aqui e outro ali, passa a gerar imposto calculado errado em escala.
Pergunta para o seu sistema: ele permite revisar e corrigir a classificação fiscal em massa, com rastreabilidade de quem mudou o quê?
2. Cálculo paralelo (regra antiga + regra nova)
De 2026 a 2032, uma mesma venda pode envolver ICMS, ISS, IBS e CBS, cada um com a sua regra e o seu percentual de transição. O ERP precisa:
- calcular cada tributo separadamente;
- aplicar o percentual correto do ano da operação;
- permitir atualizar alíquotas e regras sem reprogramar o sistema a cada mudança.
Pergunta para o seu sistema: as regras ficam em tabelas configuráveis ou estão “chumbadas” no código?
3. Nota fiscal com os novos campos
NF-e, NFC-e e NFS-e ganharam grupos específicos para IBS e CBS. Os prazos e as validações vêm sendo definidos em notas técnicas e podem variar conforme o tipo de documento e o município, no caso da NFS-e. Uma nota com campos faltando ou incorretos pode ser rejeitada e travar o faturamento.
Pergunta para o seu sistema: o fornecedor acompanha as notas técnicas e entrega as atualizações a tempo de você testar antes do prazo?
4. Crédito amplo
Um dos pilares do novo modelo é a não cumulatividade ampla: em regra, o imposto pago nas compras gera crédito para abater do imposto das vendas. Para aproveitar esse crédito, a empresa precisa de dados de entrada completos e conciliados: notas de fornecedores corretamente escrituradas, vinculadas ao pagamento e classificadas.
Pergunta para o seu sistema: ele importa e confere as notas de entrada automaticamente, ou isso ainda depende de digitação?
5. Relatórios para decidir
A reforma vai mexer em preço, margem e até na escolha de fornecedores. Um fornecedor do Simples Nacional, por exemplo, pode gerar menos crédito do que um do regime regular, dependendo da opção que ele fizer. Ter relatórios que simulem esse impacto é o que separa uma decisão bem tomada de um susto no fim do mês.
Um roteiro simples para começar
- Inventário: liste todos os sistemas que tocam em imposto (ERP, emissor de notas, e-commerce, PDV, integrações).
- Diagnóstico: verifique cadastros, regras de cálculo e capacidade de emitir as notas no novo layout.
- Plano com o contador: defina as regras da empresa e os testes de validação.
- Ajustes e testes: corrija o sistema e compare os resultados com cálculos validados pelo contador.
- Acompanhamento contínuo: a legislação e as notas técnicas vão mudar até 2033. Garanta que alguém está cuidando disso.
E se o sistema for antigo?
Muitas empresas usam sistemas próprios, feitos há anos, que funcionam bem no dia a dia, mas não têm mais quem dê manutenção. Para essas, a reforma é um ponto de decisão: adaptar o sistema atual ou aproveitar o momento para modernizá-lo.
As duas saídas são possíveis. O importante é decidir com informação, e não às pressas perto de um prazo.
Como a GNC pode ajudar
- Clientes do ERP GNC: a adequação do sistema à Reforma Tributária está incluída no contrato, sem custo adicional.
- Empresas com outros sistemas: fazemos um diagnóstico do que precisa mudar e executamos os ajustes, ou planejamos a modernização, sempre em conjunto com o seu contador.